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Tarifas dos EUA: SP e SC Sentem o Golpe, ApexBrasil Contra-ataca com R$130 Milhões

O cenário das exportações brasileiras para os Estados Unidos ganhou um novo desafio com a imposição de uma tarifa adicional de 25% sobre diversos produtos. Para enfrentar essa situação e minimizar o impacto, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), através de seu presidente Laudemir Müller, anunciou um robusto plano de diversificação […]

O cenário das exportações brasileiras para os Estados Unidos ganhou um novo desafio com a imposição de uma tarifa adicional de 25% sobre diversos produtos. Para enfrentar essa situação e minimizar o impacto, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), através de seu presidente Laudemir Müller, anunciou um robusto plano de diversificação de mercados. Com um investimento de R$ 130 milhões, a iniciativa, que será lançada em agosto, visa proteger e impulsionar o comércio exterior do Brasil.

Entenda o ‘Tarifaço’ Americano e Seus Efeitos no Brasil

A decisão do governo dos EUA de aplicar essas tarifas não é bem-vista por aqui. Laudemir Müller, da ApexBrasil, classificou a medida como ‘absurda do ponto de vista comercial’, enfatizando a falta de justificativa econômica. Nem mesmo empresas norte-americanas apoiam essa taxação, o que mostra a fragilidade dos argumentos por trás da iniciativa de tarifas sobre produtos brasileiros.

Essa medida de tarifas dos EUA não é pouca coisa. O governo federal estima que o ‘tarifaço’ afeta cerca de 18% de tudo que o Brasil exporta para os EUA, o que representa aproximadamente US$ 7,4 bilhões, com base nos dados de 2024. Já a ApexBrasil, olhando para 2025, calcula um impacto de cerca de US$ 7,2 bilhões em produtos brasileiros afetados pelas tarifas.

SP e SC na Mira: Os Estados Mais Afetados Pelas Novas Regras

Quando o assunto é impacto regional, São Paulo e Santa Catarina são os estados que mais sentem o peso dessas tarifas. Müller destacou que São Paulo terá cerca de US$ 3 bilhões de suas exportações para os EUA afetados. Em Santa Catarina, a situação é ainda mais crítica, com 68% de suas vendas ao mercado norte-americano sujeitas às novas taxações de comércio exterior.

Juntos, São Paulo e Santa Catarina respondem por mais da metade – exatos 52% – do impacto total desse ‘tarifaço’. Isso sublinha a importância estratégica de focar nesses estados ao pensar em soluções de diversificação de exportações e apoio à economia local.

A Estratégia da ApexBrasil: Diversificar Mercados e Fortalecer Exportações

Onde o Brasil Vai Buscar Novos Parceiros Comerciais?

O plano de diversificação de mercados da ApexBrasil é ambicioso e foca em novas oportunidades. A Europa é uma prioridade, aproveitando o potencial do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia. Outros blocos importantes para as exportações brasileiras são a Asean, que inclui nações como Indonésia e Vietnã, e mercados emergentes da Ásia Central, como Uzbequistão e Cazaquistão.

Como Reforçar a Presença nos EUA?

Além de buscar novos horizontes, a estratégia de exportação também inclui reforçar as vendas para os próprios Estados Unidos. O foco será nos produtos que ficaram de fora da tarifa de 25%, ampliando a participação brasileira nesses setores isentos. Serão aproveitados os cerca de 85 produtos que entraram na lista de exceção, fortalecendo as exportações EUA produtos isentos.

O Plano em Ação e os Próximos Passos da ApexBrasil

Os detalhes completos do programa de apoio à exportação serão apresentados oficialmente em agosto. Mas já sabemos que a ApexBrasil planeja ações concretas: aproximar empresas brasileiras de compradores estrangeiros, garantir presença em feiras internacionais, organizar missões comerciais estratégicas e utilizar a estrutura dos escritórios da agência na Europa e nos EUA para facilitar esses contatos comerciais.

A agência também continuará a negociar para ampliar a lista de produtos isentos de tarifas. No entanto, é importante reconhecer que alguns setores terão um desafio maior para encontrar novos mercados, exigindo um esforço ainda maior de adaptação e planejamento para o comércio internacional.

Atualmente, a ApexBrasil está em contato direto com 57 empresas e entidades importantes do setor, como a Associação Brasileira dos Exportadores de Mel (Abmel), a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), o Centrorochas, a Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas) e a Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário (Abimóvel). Essa proximidade é crucial para entender as necessidades dos setores afetados pelas tarifas e direcionar as ações de apoio.

Para Além das Tarifas: Reciprocidade e Novas Ameaças Comerciais

Sobre a possibilidade de o Brasil aplicar a Lei da Reciprocidade contra os EUA, Müller deixou claro que essa é uma decisão do governo federal. Contudo, alertou para o risco real de perda de mercado e, o que é pior, o rompimento de relações comerciais já estabelecidas, algo que a ApexBrasil busca evitar a todo custo em nome da estabilidade comercial entre Brasil e EUA.

Existe também a sombra de uma nova tarifa, desta vez ligada a uma investigação americana sobre suposto uso de trabalho forçado. A taxa prevista seria de 12,5%. Embora o Brasil não tenha motivos para receio, é fundamental estar preparado para esse eventual cenário, que dependerá de uma decisão final do presidente Donald Trump sobre novas tarifas.

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