Os mercados brasileiros retomam as atividades na terça-feira (13) após o feriado de Nossa Senhora Aparecida, com foco nas próximas pesquisas eleitorais. Catorze levantamentos nacionais estão programados para a semana, com quatro deles já previstos para a terça-feira, o que deve influenciar a abertura dos pregões.
O cenário recente, marcado por resultados de pesquisas que indicam um candidato da oposição à frente do presidente Lula, tem gerado otimismo no mercado financeiro. Investidores avaliam que o candidato Flávio Bolsonaro está mais alinhado a um robusto ajuste fiscal.
Antes da pausa do feriado, o último pregão registrou euforia. Na sexta-feira (9), o Ibovespa subiu 1,38%, atingindo 209.066,90 pontos, o maior fechamento da história. O índice acumulou uma alta de 12,20% em outubro e 29,75% no ano. Paralelamente, o dólar comercial recuou 0,79%, cotado a R$ 4,985, voltando a operar abaixo da marca dos R$ 5.
Parte desse movimento positivo foi impulsionada pela retomada da entrada de recursos estrangeiros no país. Após o primeiro turno, aproximadamente R$ 10 bilhões de investidores de fora já foram alocados na bolsa. A continuidade desse fluxo pode sustentar o momento favorável do Ibovespa, mesmo após o recorde da sexta-feira.
Diversas instituições financeiras passaram a projetar uma trajetória de valorização para o principal indicador da bolsa brasileira. Essas projeções estão atreladas a uma possível vitória de Flávio Bolsonaro no segundo turno e à materialização de propostas de ajuste nas contas públicas, visando a estabilização do crescimento da dívida governamental. O UBS Global Wealth Management, por exemplo, enxerga potencial de valorização superior a 30% para o Ibovespa. Já o Itaú BBA prevê que o indicador pode alcançar até 246 mil pontos em um cenário de maior convergência fiscal, comparado a 206 mil no cenário-base.
Riscos e Taxas de Juros
A euforia observada entre os investidores na semana anterior, contudo, carrega um risco inerente. Como grande parte das expectativas já se reflete nos preços dos ativos, qualquer indício de estreitamento na disputa eleitoral pode desencadear ondas de vendas, gerando volatilidade.
O segundo ponto de atenção para o mercado são os juros futuros. Na sexta-feira, as taxas recuaram em toda a curva, mesmo após a divulgação de um Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) que superou as projeções. Em setembro, o IPCA subiu 0,82%, acima da mediana de 0,76% da Bloomberg, elevando o acumulado em 12 meses para 4,58%, ultrapassando o teto da meta. Essa situação deixa os juros futuros mais suscetíveis às oscilações do humor político e fiscal.
A agenda da semana também inclui leilões de títulos do Tesouro Nacional. Em quinta-feira (8), o Tesouro realizou a maior venda de papéis prefixados em seis anos, aproveitando o momento favorável de queda das taxas de juros. O leilão movimentou R$ 33,3 bilhões, com a oferta de 42 milhões de títulos prefixados e a absorção de 40,8 milhões de papéis pelo mercado. A manutenção das condições atuais pode levar a novas ofertas elevadas, ajudando a estabilizar as taxas de juros nos patamares atuais.
Cenário Internacional
No cenário internacional, a cautela é um fator importante. A inflação americana de setembro, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor (CPI), representa o principal dado econômico da semana, com divulgação prevista para quarta-feira (14). Os números do CPI podem fortalecer a expectativa de uma pausa nas elevações de juros por parte do Federal Reserve (Fed), o banco central americano, em sua reunião de fim de outubro.
Fonte: https://investnews.com.br

