Se você sentiu que os gastos com transporte estão apertando seu orçamento, saiba que não é impressão! As despesas com locomoção dispararam e se tornaram um dos maiores desafios financeiros das famílias. Uma pesquisa recente do FGV Ibre, a 13ª edição dos Indicadores de Qualidade do Trabalho, confirmou essa realidade, revelando o impacto direto no bolso dos brasileiros.
Transporte Dispara e Ocupa Mais Espaço no Orçamento Familiar
Apesar de alimentação, moradia e serviços públicos ainda serem despesas essenciais, o levantamento mostra que o transporte registrou a maior alta. O percentual de famílias que identificaram o transporte como uma das suas três maiores preocupações financeiras saltou de 2% em junho de 2025 para impressionantes 27,6% em junho de 2026. Esse avanço de 25,6 pontos percentuais reflete uma mudança significativa na composição do orçamento familiar dos brasileiros.
O Que Explica a Escalada nos Custos de Deslocamento?
Rodolpho Tobler, superintendente adjunto do FGV Ibre, destaca que esse crescimento se deve principalmente ao encarecimento dos deslocamentos, diretamente impulsionado pela alta dos combustíveis. O cenário global, marcado por oscilações no mercado internacional de petróleo e conflitos no Oriente Médio, elevou os custos tanto do transporte individual quanto do coletivo, e a expectativa é que os preços se mantenham elevados por um tempo.
Inflação e Volatilidade Afetam o Bolso
Gustavo Assis, CEO da Asset Wealth Management, complementa que o comportamento dos custos de transporte acompanha a evolução da inflação, medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo). O grupo de transportes é um dos mais instáveis, influenciado por reajustes nos combustíveis, tarifas de transporte público e demais custos relacionados aos veículos, pressionando ainda mais a renda das famílias.
Orçamento Doméstico: Equilíbrio Cada Vez Mais Difícil
Além do transporte, a pesquisa do FGV Ibre revela uma dificuldade crescente em equilibrar as contas da casa. Nos últimos meses (abril, maio e junho), a porcentagem de entrevistados que conseguiram pagar suas despesas essenciais caiu para 69,1%, abaixo dos 72,4% registrados em fevereiro. Esse cenário indica uma pressão generalizada sobre o orçamento doméstico.
Custos em Alta: O Desafio de Manter as Contas em Dia
Rodolpho Tobler explica que essa piora não está necessariamente ligada à redução da renda, mas sim ao aumento dos custos. O custo de vida elevado consome uma parcela maior do orçamento familiar, tornando cada vez mais difícil manter as contas em dia, mesmo para quem não teve a renda diminuída.
Mercado de Trabalho: Menos Satisfação, Mais Insegurança
A pressão financeira se reflete também na percepção dos trabalhadores sobre seus empregos. A satisfação no trabalho diminuiu: 64% dos entrevistados estavam satisfeitos em junho, contra 68% em janeiro. Em contrapartida, a insatisfação subiu de 5,7% para 6,9%. O principal motivo? A remuneração, com quase 58% sentindo que o salário não acompanha suas necessidades e o custo de vida crescente, mesmo com um mercado de trabalho aquecido, como pontua Tobler.
Futuro do Emprego e a Busca por Novas Oportunidades
Há também uma cautela em relação ao futuro do emprego. Cerca de 41% dos entrevistados consideram difícil conseguir uma colocação. Rodolpho Tobler relaciona essa percepção ao ritmo da atividade econômica, alertando que uma desaceleração contínua pode tornar o mercado de trabalho ainda mais desafiador. Matos, CEO da MA7 Negócios, adiciona que muitos buscam alternativas na informalidade ou como autônomos, o que, apesar da aparente facilidade, gera vínculos mais frágeis e a falta de proteções como seguro-desemprego e FGTS, criando uma insegurança financeira que acompanha a busca por novas fontes de renda.

