Prepare-se para uma ótima notícia sobre a economia brasileira! As exportações do Brasil para a União Europeia (UE) deram um salto significativo logo nos primeiros meses de vigência do acordo comercial entre o Mercosul e o bloco europeu. Estamos falando de um aumento de US$ 2 bilhões (cerca de R$ 10 bilhões) só em maio e junho, os primeiros meses em que o acordo começou a valer provisoriamente. Isso representa um crescimento de 26% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados fresquinhos da ApexBrasil.
No balanço geral do primeiro semestre, o Brasil vendeu US$ 26,9 bilhões (aproximadamente R$ 137 bilhões) para a UE. Houve um incremento de US$ 3 bilhões (R$ 15 bilhões), que se traduz em um avanço de 12,8% em comparação com o semestre anterior.
O Acordo Mercosul-UE e o Impulso nas Exportações Brasileiras
O presidente da ApexBrasil, Laudemir André Müller, pode até evitar dizer que tudo é culpa do acordo, mas ele não esconde que os ‘muitos indícios’ apontam para a redução de tarifas como o grande motor desse novo fluxo comercial entre o Brasil e os países europeus. Convenhamos, seria muita coincidência que US$ 2 bilhões dos US$ 3 bilhões de crescimento total do semestre tivessem acontecido justamente em maio e junho, não é mesmo?
O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia começou a ser aplicado provisoriamente em 1º de maio, trazendo a eliminação ou redução imediata de tarifas para milhares de produtos brasileiros. Para ser validado de vez, o acerto ainda precisa passar pela aprovação do Tribunal de Justiça e do Parlamento Europeu. A expectativa do governo brasileiro e do nosso setor privado é que essa abertura de mercado dê um gás na competitividade dos nossos exportadores e incentive a diversificação de parceiros, especialmente diante de um cenário de comércio internacional meio instável, impulsionado por decisões de governos como o de Donald Trump.
Mais Que um Acordo: Estratégia de Diversificação de Mercados
Atenção: o novo ‘tarifaço’ que os Estados Unidos aplicaram em produtos brasileiros só reforça, na visão da ApexBrasil, a importância de o Brasil ampliar seu acesso a outros mercados globais. No primeiro semestre, nossas exportações para os EUA caíram 13%, somando US$ 17,4 bilhões, um contraste e tanto com o aumento das vendas para outros parceiros importantes. Esse é um sinal claro da necessidade de não colocar todos os ovos na mesma cesta.
Adeus à Dependência: Olhando Além dos EUA
Müller destaca que a estratégia adotada desde o início das tensões comerciais foi clara: incentivar as empresas brasileiras a diversificar seus destinos de exportação, com a União Europeia como um dos focos principais. Ele concorda que os EUA ‘continuam sendo importantes’, mas o cenário geopolítico atual pede que o Brasil reduza a dependência de um único mercado e amplie sua presença na Europa, Ásia e Índia.
Para se ter uma ideia, 72% das 2.400 empresas que a ApexBrasil acompanha já estão exportando para pelo menos um novo mercado desde que a ‘turbulência’ comercial começou. Isso mostra que o setor está se movimentando e buscando novas oportunidades. O acordo com a UE, para Müller, reduz uma desvantagem histórica do Brasil frente a concorrentes que já tinham preferências tarifárias com a Europa. ‘A gente passa a fazer parte de um clube diferente’, comemora.
O Que o Brasil Está Exportando para a Europa?
Além de exportar mais, a lista de produtos que o Brasil vende para a União Europeia ficou mais diversificada no final do primeiro semestre. A lista dos itens que mais cresceram inclui bens industriais, químicos, siderúrgicos e máquinas. Isso sugere que a redução de tarifas está beneficiando segmentos de maior valor agregado, aqueles que sempre foram apontados como os ‘ganhadores’ potenciais do acordo.
Mel, Turbinas e Outras Surpresas no Topo
Comparando o primeiro semestre deste ano com o período do ano passado, os produtos que mais ‘bombaram’ nas exportações para a UE foram: mel, com um crescimento espetacular de 246,7%; partes de turborreatores, subindo 141,9%; e óleo essencial de laranja, com um salto de 110,1%. Mas não parou por aí! As vendas de manga (36,5%), extrato de café (36%) e partes para motores a diesel (19,1%) também mostraram um avanço considerável.
Oportunidades Abrindo Portas em Nossos Estados
Um estudo da ApexBrasil, obtido pela Folha, mapeou as oportunidades que o acordo abriu para todo o país. Em um recorte que foca nas principais potencialidades, São Paulo aparece com 127 oportunidades comerciais para produtos do estado entrarem no mercado europeu. Ele só fica atrás de Santa Catarina, que tem impressionantes 167 oportunidades.
O Que Significa Uma ‘Oportunidade’ para a ApexBrasil?
Para a agência, uma ‘oportunidade’ é quando um produto já tem produção e exportação sólidas em um estado para algum mercado internacional e que, com a redução das tarifas prevista no acordo, ganha um potencial ainda maior para aumentar as vendas para o bloco europeu. Ou seja, é um produto que já é bom e ficou ainda melhor com as novas regras.
O levantamento também mostra que São Paulo lidera no número de empresas já inseridas no mercado europeu, com cerca de 4.000 exportadoras. A maior parte das oportunidades identificadas para o estado está na indústria de transformação: são 96 para produtos industriais e 31 para o agronegócio. Esse resultado reflete tanto o perfil da economia paulista quanto o desenho do próprio acordo.

