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Ataques Houthi ao Aeroporto de Riade Elevam Risco de Escalada no Conflito Regional

A capital da Arábia Saudita, Riade, foi alvo de ataques rebeldes houthis do Iêmen no fim de semana, demonstrando a capacidade do grupo de atingir o principal aeroporto da cidade. Os incidentes, ocorridos no sábado (10) e domingo (11), aumentam o risco de uma perigosa escalada do conflito, que poderia envolver os Estados Unidos. O […]

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A capital da Arábia Saudita, Riade, foi alvo de ataques rebeldes houthis do Iêmen no fim de semana, demonstrando a capacidade do grupo de atingir o principal aeroporto da cidade. Os incidentes, ocorridos no sábado (10) e domingo (11), aumentam o risco de uma perigosa escalada do conflito, que poderia envolver os Estados Unidos.

O ataque de sábado resultou em 12 mortos e 309 feridos. No dia seguinte, o aeroporto foi atingido novamente por um projétil de origem não identificada. Esta foi a quarta investida em apenas uma semana contra o local.

As ações dos houthis ocorrem em um contexto de apoio de jatos de combate sauditas a uma contraofensiva de forças do governo iemenita. Essa contraofensiva foi lançada após os houthis tomarem territórios próximos a Bab el-Mandeb, um ponto estratégico para o transporte marítimo global na entrada sul do Mar Vermelho.

Evolução e Capacidade dos Houthis

Os houthis, que são parte do chamado “eixo de resistência” liderado por Teerã, tinham permanecido à margem do conflito desde o início da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, em fevereiro. Contudo, a recente ofensiva destaca a transformação do grupo em uma força de combate autônoma. Eles desenvolveram uma cadeia de suprimento de armas própria e sofisticada, permitindo-lhes operar e intensificar ataques de acordo com seus próprios interesses, por vezes em coordenação com o Irã.

Os ataques exercem pressão sobre o príncipe herdeiro e governante de fato da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, para intensificar uma guerra da qual o país tentava se desvencilhar há anos. O adversário houthi, por sua vez, mostra-se mais preparado do que nunca. O cenário também impõe escolhas difíceis para os Estados Unidos e para parceiros de defesa do reino, como Turquia e Paquistão, sobre o nível de apoio à resposta saudita.

Ahmed Nagi, analista sênior para o Iêmen no International Crisis Group, afirmou que, ao intensificar os ataques, os houthis buscam pressionar a Arábia Saudita a recuar e interromper sua campanha aérea. Nagi adicionou que Riade interpreta esses bombardeios como uma escalada grave, especialmente pelo caráter inédito das ações, e que deve responder com ainda mais pressão militar.

A coalizão liderada pela Arábia Saudita responsabilizou os houthis pelo ataque de sábado, classificando a ação como “um crime de guerra em escala total”. O grupo rebelde não assumiu a autoria dessa investida específica, mas já havia reivindicado ataques anteriores e feito alertas sobre novas ofensivas contra aeroportos sauditas.

Histórico e Impacto

A Arábia Saudita liderou uma coalizão militar que interveio no Iêmen em 2015, com o objetivo de reconduzir o governo reconhecido internacionalmente ao poder. A campanha de bombardeios contra os houthis durou anos, mas não conseguiu removê-los do controle de seus territórios.

Uma trégua intermediada pela ONU em 2022 diminuiu drasticamente os confrontos, oferecendo a Riade uma saída diplomática para reduzir sua participação no conflito. Durante esse período, o grupo militante expandiu seus recursos e alcance operacional.

O reino saudita investiu bilhões de dólares para modernizar suas forças armadas, equipando-as com caças americanos F-15 e sistemas antimísseis Patriot, cujos interceptadores podem custar até US$ 5 milhões por unidade. Apesar desses investimentos, os bombardeios recentes paralisaram o aeroporto internacional que atende a capital, resultando no cancelamento de centenas de voos e na migração de escolas para o ensino remoto.

As investidas dos houthis também podem ser um reflexo da pressão que o grupo sofre em solo iemenita. Após a tomada do porto de Mokha, no Mar Vermelho, e de territórios próximos a Bab el-Mandeb no mês passado, forças governamentais lançaram uma contraofensiva com suporte da aviação saudita. A coalizão afirma ter retomado Mokha e destruído dezenas de alvos militares dos rebeldes.

Fonte: https://investnews.com.br

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