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David Vélez, do Nubank, aconselha empreendedores a focar na construção da empresa e na jornada

Em entrevista ao InvestNews durante a B55 Conference, David Vélez, fundador e CEO do Nubank, ressaltou a importância de empreendedores priorizarem a construção de empresas sólidas em vez de se concentrarem unicamente em avaliações bilionárias ou no volume de capital captado. Segundo Vélez, o valuation e o capital são consequência de um trabalho bem-feito, mas […]

Redação InvestNews

Em entrevista ao InvestNews durante a B55 Conference, David Vélez, fundador e CEO do Nubank, ressaltou a importância de empreendedores priorizarem a construção de empresas sólidas em vez de se concentrarem unicamente em avaliações bilionárias ou no volume de capital captado. Segundo Vélez, o valuation e o capital são consequência de um trabalho bem-feito, mas não constituem garantia de sucesso a longo prazo para o negócio.

O executivo observou que empreendedores frequentemente dedicam atenção excessiva a esses números. Para ele, ‘esse número é um subproduto de fazer as coisas bem, de construir a organização, de construir o talento’, como afirmou ao InvestNews. A B55 Conference marcou a primeira grande conferência do Instituto B55, uma organização sem fins lucrativos lançada neste ano. O instituto foi fundado por David Vélez, Guilherme Benchimol (XP), André Street (Stone) e Cristhiano Faé (Accera).

De acordo com seus fundadores, o Instituto B55 tem como objetivo principal conectar seus membros a mentores, especialistas e outros empreendedores experientes. Essa conexão visa auxiliar na identificação de problemas, na proposição de caminhos e na resolução de desafios concretos enfrentados no ambiente empresarial. Na ocasião, Vélez compartilhou diversos conselhos sobre cultura, crescimento e os inerentes altos e baixos da jornada empreendedora.

A Cultura como Pilar Fundamental

Vélez enfatizou que os primeiros meses de uma empresa são cruciais para a definição de seus valores. Ele aponta que a cultura organizacional começa a se moldar nos primeiros quatro a seis meses, com a participação dos primeiros 10 a 15 funcionários. Uma cultura clara e bem estabelecida, segundo o CEO do Nubank, é essencial para atrair os talentos certos, o que, por sua vez, facilita a criação de produtos inovadores e a conquista de clientes.

Além de documentar os princípios da empresa, Vélez defende que a cultura se torna verdadeiramente relevante quando as ações da companhia são consistentes com esses valores. Ele explica que o teste da cultura ocorre especialmente quando defender um princípio é inconveniente. No Nubank, o valor número um é fazer com que os clientes ‘nos amem fanaticamente’. Este princípio, segundo ele, deve orientar desde a contratação de colaboradores até o desenvolvimento de produtos e a comunicação da empresa.

O CEO do Nubank também defende que a cultura deve funcionar como um critério fundamental para contratar e avaliar pessoas. Ele faz questão de participar do processo de integração, o onboarding, de novos funcionários para apresentar os valores da companhia. Vélez afirma que, se alguém não age de acordo com esses princípios, pode ser necessário considerar a saída dessa pessoa da empresa.

A Jornada Empreendedora e a Escolha de Parceiros

Vélez aconselha os empreendedores a não se prenderem à ideia de alcançar uma avaliação bilionária ou de transformar a empresa em um ‘unicórnio’ – termo dado a companhias que valem US$ 1 bilhão ou mais. Para ele, o sucesso é construído ao longo do percurso, que engloba tanto momentos de ascensão quanto de dificuldade. ‘Se você empreende pela jornada, pelo fato de que vai se desafiar, vai trabalhar com gente incrível, vai tentar fazer coisas difíceis, então não vai haver uma oportunidade de ficar desapontado no final’, declarou.

O executivo acrescentou que, se o empreendedor medir o sucesso apenas pelo destino final, a frustração pode ser um risco, visto que ‘90% das startups não dão certo’. Dessa forma, aproveitar o processo, aprender com os desafios e valorizar a trajetória ajuda a lidar melhor com a possibilidade de o negócio não atingir o resultado financeiro esperado.

Por fim, Vélez destacou a importância de escolher bem os investidores. Embora captar dezenas de milhões de dólares ou atingir uma alta avaliação seja motivo de comemoração, ele pondera que esses marcos não indicam necessariamente se a empresa está sendo construída para durar. O empreendedor deve, portanto, prestar atenção à qualidade dos investidores, buscando parceiros que possam acompanhá-lo e apoiá-lo consistentemente ao longo de toda a jornada da empresa.

Fonte: https://investnews.com.br

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